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MISSATGE DEL PRESIDENT LULA DA SILVA

El president de Brasil, Luiz Inàcio Lula da Silva, no va poder assistir al diàleg com tenia previst en un primer moment, no obstant això, va enviar un missatge als assistents que reproduïm a continuació:


 

“É uma honra para mim ter sido convidado para participar deste Fórum Universal e deste Diálogo intitulado “Direitos Humanos, Necessidades Emergentes e Novos Compromissos”.

Não pude comparecer pessoalmente porque, neste momento, estou reunido em Nova York com dezenas de outros chefes de Estado e de Governo, debatendo propostas de mecanismos financeiros inovadores para erradicar a fome e a miséria no mundo.

Tomei a iniciativa de convocar essa reunião na véspera da Abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas – juntamente com os Presidentes da França, do Chile, com o Primeiro-Ministro da Espanha, e com o Secretário-Geral da ONU – porque é preciso transformar urgentemente o problema da fome em um problema político.

Nós acreditamos que é possível concretizar novas ações, e unir forças, para enfrentar e vencer o principal desafio do início deste século XXI, que é a fome, e cumprir as demais Metas do Milênio até 2015.

Todos sabemos que a Humanidade atingiu níveis espetaculares de progresso científico e tecnológico. A produção agrícola mundial é mais do que suficiente para saciar a fome de todas as pessoas na face da Terra.

Infelizmente, somos obrigados a reconhecer que é cada vez maior o abismo que separa os ricos dos pobres. E isso é verdade praticamente para todo o mundo.

A metade da população mundial tem menos de dois dólares por dia para sobreviver, ao passo que 75 por cento de toda a riqueza material estão nas mãos de 4 por cento da parcela mais rica da humanidade.

A diferença entre os 20 por cento mais ricos e os 20 por cento mais pobres, dos anos 60 para hoje, elevou-se de 30 para 74 vezes.

No caso do Brasil – os senhores e as senhoras sabem – a exclusão social é secular. Mas, sem dúvida, foi muito agravada na década passada.
No nosso País, o desemprego e a miséria cresceram de modo exponencial, com efeitos sociais e éticos gravíssimos, entre eles uma assustadora desagregação familiar. Mais de 50 milhões de pessoas – quase um terço da população –, padecem de cotidiana insegurança alimentar. Recebemos uma herança extremamente pesada.

Por isso mesmo, estamos dedicados – em cada dia do nosso Governo – a resgatar e afirmar de uma vez por todas a primazia do interesse coletivo e da coisa pública e universal em nosso país.

Vale dizer, estamos trabalhando com um novo conceito de desenvolvimento, em que a justiça social é a alavanca do crescimento no século XXI. O equilíbrio econômico é insustentável sem o equilíbrio social.

Muitos dos conflitos e tensões existentes hoje decorrem de uma ordem internacional em que a distribuição da riqueza mundial é injusta e faltam oportunidades para os países mais pobres se desenvolverem.

Se queremos um mundo estável e seguro, devemos buscar – com a mesma determinação – um mundo mais justo e eqüitativo.

Nosso Governo cumpre as regras vigentes, mas isso não significa que não estejamos lutando por reformas, correções e aperfeiçoamentos, que tornem o sistema internacional mais justo e eficiente para todos os países.
A nossa política externa é um bom exemplo desse caminho.

Internamente – para dar apenas um exemplo – estabelecemos a meta de Fome Zero até o final do meu Governo. Criamos, no ano passado, o Programa Bolsa Família, que já está transferindo renda para 5 milhões de famílias brasileiras que vivem na extrema pobreza. No final de 2006, serão mais de 11 milhões de famílias beneficiadas.

Nesse sentido, cabe destacar que, no início deste ano – na presença de um dos fundadores e Secretário da Rede Européia de Renda Básica, Philippe Van Parijs, no Palácio do Planalto, em Brasília, sancionei a Lei n°. 10.835, aprovada pelo Congresso Nacional do Brasil, instituindo a Renda Básica de Cidadania no nosso País.

Uma lei – iniciativa do valoroso companheiro que está hoje aí com os senhores e as senhoras, o nosso Senador da República, Eduardo Suplicy – que será implementada gradualmente a partir do ano de 2005, sob o critério do Poder Executivo, dando prioridade aos mais necessitados, como já faz hoje o Bolsa Família.

Quero terminar desejando a todos vocês, companheiros e companheiras, pleno sucesso nesta Conferência, que certamente contribuirá para que avance – e muito – a luta pela efetivação de uma renda básica para todos os habitantes da Terra.
Muito obrigado”

Luiz Inàcio Lula da Silva
Brasília, 17 de setembro de 2004

 

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